LATIM SELVAGEM PARA O CARNAVAL
Em louvor à primeira manifestação carnavalesca da taba brasilis, donde os bravos caetés de Coruripe, terra das Alagoas, devoraram o venturoso dom Pedro Fernandes, o bispo Sardinha, no ano da graça de 1556, elencamos, com a ajuda de nossos fiéis almocreves, expressões e sentenças à guisa de alerta para a farra cristã da carne
Venus involucrum penis circensis: na hora brincante, não esqueça a camisinha
Urge copulatum ad empacotum est: vai comer aqui ou quer que embrulhe?
Caprina pestilenta: cabra da peste
Quot homines tot causae - relaxa, é só a cabecinha!
Animus peixeirum lucrandi fraternum: dá uma facada, pedir dinheiro a amigo
Copulatum et malum remuneratum: fodido e mal pago
Extra matrimonium cercatorium: ato de pular a cerca
Pari passu penis excitatum: o sr. está dançando armado
Impotentia generandi humanum est: brochar é demasiado humano
Vis corporalis introdutorium: sexo selvagem inadiável
Mutatis mutandis forevis: sobrou de novo para mim
Alea jacta est: ligar o foda-se
Caprina sine puditia: cabra sem-vergonha
Habeas bovinus intra línea: tem boi na linha
Simius antiquus intra cumbuca manus non metet: macaco velho não mete a mão em cumbuca
Dominus jumentum! Frater tuo adjumentum!: seu burro! Ajuda teu irmão!
Cuique simius in cuique cornus: cada macaco no seu galho
Res bolah: coisas do futebol
Ego cornus tuus fragmentare: vou quebrar seu galho
Vade autofragmentare!: vai-te lascar!
Domus ferrari, spettus penis: casa de ferreiro, espeto de pau
Orificium beborium proprietarium nulus: cu de bêbado não tem dono
Tridum momescum finutum est: pra tudo se acabar na quarta-feira
Vedi, vini; nulus copulatum: e não comemos ninguém!
Escrito por xico sá às 12h24
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MIOJO SENTIMENTAL OU O AMOR NOS TEMPOS DO MSN
Em cinco minutos, pronto, você está lá na maior das intimidades com a cria da sua costela. Tudo aquilo que demorava dias, meses, com as missivas ou flertes da vida real, virou coisa de segundos nesse outro plano.
É o amor nos tempos do Messenger... Tudo muito rápido, espécie de miojo sentimental, emoções baratas, 3,5 minutos, ferveu, fodeu!
Você nem carece pegar na mão, já vai direto pra cama, pra detrás da moita mais platônica. Não carece nem cantar Paulinho da Viola, olá como vai, quanto tempo, pois é, quanto tempo...
E não é coisa apenas desses moços, pobres moços. Minha amiga K., por exemplo, 55 anos, Madame Bovary dos tempos digitais, tem quatro amantes “fixos” virtuais, além do marido de carne, osso e ronco, como ela mesma diz. “Vou deixar um deles, pois não tem comparecido a contento”, solta a blague. Todos jovens, quase donzelos, meu Deus.
Antes bastava ficar de olho na chegada do carteiro, o bravo homem de amarelo, com o seu embornal de cobranças, boas novas ou lágrimas...
Amor e tecnologia... No princípio era apenas o bina, e matou o velho mistério do telefonema mudo e anônimo. Ofegante, a criatura, apaixonada, ligava só para ouvir a voz do obscuro objeto de desejo do outro lado da linha. Ou mandava uma música do Rei, de preferência a mais romântica: “Vou cavalgar por toda noite, numa estrada colorida...”
É, o telefonema dos desencorajados do amor, esse clássico das antigas, está praticamente enterrado.
Depois, chegou a telefonia móvel. Uma revolução na crônica de costumes. O fim de muitas desculpas canalhas. Tipo aquele homem que tomava um chá de sumiço e voltava, batom até no lenço d´alma, com os álibis mais inverossímeis desse planeta.
Outra alvissareira função do celular é fugir dos mal-assombros sentimentais. Você quer ir numa festa e sabe que aquele infeliz pode estar lá, serelepe, nos braços de uma “vagabunda” qualquer. Uma ligação e pronto, o amigo dá o serviço completo das assombrações. Pena que o mesmo aparelho também sirva para matar as surpresas, o friozinho na barriga, aquela coisa toda, lembra?
O amor nos tempos do MSN (Multidão Sem Ninguém, como decifra a hermanita Clarah). E o novo problema –amor & tecnologia- já está ficando velho, não adianta resmungos e muxoxos dos nostálgicos precoces, já está ficando velho, amigo, como se fosse um enigma grego, tipo assim decifra-me ou te deleto: como transformar uma tara platônica em uma trepada homérica?
Escrito por xico sá às 10h19
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