DESERTO FELIZ NA MOSTRA SP DE CINEMA
Amigos de San Pablo, passantes e forasteiros no geral: nesta quinta, 25/10, 21h, passa Deserto Feliz, filme de Paulo Caldas [Baile Perfumado/Rap do Pequeno Principe...], na Mostra Internacional de Cinema. O filme estreou -fora de competição- no Festival de Berlin e ganhou umas paradas tantas em Gramado. Trata da saga da menina Jéssica na beira moderna do São Francisco, na mangacéia do turismo sexual e metida no amor ou quase-amor ou mais-ainda que a leva ao estrangeirismo de terras alemãs. Tive a sorte de fazer parte do time de roteiristas -quer dizer, aprender com quem sabe, cabaço no ramo que soy!- composto por P. Caldas, Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus) e Manuela Dias. Olhos bem abertos para a estética-fluorescente do fotógrafo Paulo Jacinto, o Feijão, e oiças bem ligadas na trilha de Fábio Trummer (Eddie). O filme rola no Reserva Cultural 1 -Avenida Paulista, 900. Todo mundo convidado!!!
Escrito por xico sá às 17h19
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O MARINHEIRO QUE RETOMOU LAS GRACIAS DEL MAR
São cinco e meia de la mañana. Estoy lá embaixo, subsolo do deseo, japon del amor y otras desordens que mexem com as leis cósmicas. Nem venga com essa de media-nuebe, agora soy tu submarino, tu barquinho de la banheira do ata-me de Pedro Almodóvar Caballero, teu auto da barca del infierno, derra-me hablar com ella ao infinitum de los saloons de las depilaciones, daqui so saio com un rio em mi boca, napa y ojos marejados de tus mares nada pacíficos, tus mares nada dantes, teus árticos geraes, teus rios doces, jequitinhonhas y todos los pistoleiros dos seus leitos e margens das margens dos corajosos hombres que se arriscam. Eis a minha hora, dá-me o último cigarro, só eu egoisticamente metido, beiços, lengua, ojos e oiças en tu incomparable coña donde me vingo de mi bidas secas y de todas las miragens além muito além dos pára-brisas semi-áridos.
Escrito por xico sá às 13h21
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A FAVOR DAS DENTUCINHAS -A CAMPANHA ESTÁ DE VOLTA
Denúncia urgente: estão acabando com as dentuncinhas. Sim, não é de hoje, faz tempo, mas agora beiramos realmente a extinção da espécie. Essa moda de encher de arames os dentes das moças. Essa modinha de desentortar os lindos dentinhos das raparigas em flor ainda cheirando a leite.
Sim, os mancebos também são vítimas da ortodentia moderna, mas os moços, pobres moços, que se virem, que se defendam. Este panfleto lírico e sentimental se preocupa tão-somente com as meninas, como um tardio e lesado Lewis Carroll.
No início do modismo, era mania apenas dos mais aquinhoados; depois alastrou-se de vez, como as cirurgias plásticas.
Estão acabando com o charme das dentucinhas. Toda sala de aula tinha sua dentucinha, toda repartição, toda rua, todo bairro, todo clube, todo cabaré, toda casa de tolerância que se prezasse...
Já já eliminam de vez o charme das estrias, e todas as mulheres ficam iguais, bundas iguais, peitos do mesmo tamanho, lábios de branquinhas com recheios artificiais para imitar a lindeza da mestiçagem...
Reparem os cabelos, por exemplo, onde andam os caracóis, os cachos, os black-powers?
Está tudo dominado, tudo esticado, a chapinha, modinha que nasceu em pleno apagão da energia elétrica, veio para ficar de vez, para sempre, fudeus. Já já escrevem na bandeira nacional: ordem e escova progressiva!
Mas o que está em jogo agora, camaradas, é o fim das dentucinhas. Uma lástima, uma tragédia dos nossos dias. Vocês lembram como eram especiais os beijos das dentucinhas? E os dengos orais das dentucinhas? Céus, uma sinfonia de Iggy Pop com Goran Bregovic!
Escrito por xico sá às 23h30
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