UM GAY É TUDO NAS NUESTRAS VIDAS
Nada como um gay nas nossas pobres existências sobre a terra, essa passagenzinha de nada, velho e bom Allan Kardec, meu camarada.
Sim, um gay de verdade, com toda a sua riqueza & almodovares corazones.
Agora falando mais sério ainda: um gay é tudo em nossas pobres & toscas vidas.
Duas ou três coisas que deveríamos saber mesmo sobre eles: toda grande mulher tem um gay como principal e inseparável amigo; festa sem gay não decola, não emplaca, não orna; o mundo sem estas alegres criaturas seria chato pacas.
Festa sem gay não tem liga, nossas mulheres sem eles não são as mesmas malucas.
São sentenças bíblicas. Deveriam constar de lei federal, nas tábuas de Moisés, em todos os testamentos. Você já viu uma festa sem gay animada?
A pista não pega fogo, as mulheres não têm com quem tricotar sobre o modelito da perua de vermelho... Seja forró, o velho e flamejante roque, música eletrônica ou um sambinha esquema novo na laje da gostosa.
Seja em Nova York, Moça Bonita, Crato, Aratama, Floripa, seja ouvindo a Nhocuné Soul na vila homônina da ZL paulistana.
A mesma lição da festa perfeita vale para a amizade das nossas gazelas. Mulher sem um amigo gay nos arredores não tem graça. Com um gay como melhor amigo, ela fica mais inteligente, mais bem-humorada, mas faceira, acerta a roupa que veste, endoida o cabelo pra sair da rotina, melhora tudo, incluindo as filosofias e mumunhas de alcova.
E você, cabrón, enquanto a amada vai ver o filme-cabeça com a biba amiga, ainda pode ficar em casa curtindo tranqüilamente aquele Santos x São Paulo, aquele Sport x Corinthians, aquele Grêmio x Boca, aquele Fla X Galo, aquele Fogão x Goiás, aquele Icasa x Porto pela terceirona...
Ora, nada melhor para nos livrar daquele filme iraniano, paquistanês, taiwanês, tibetano...
Uma beleza, uma mão-na-roda essa parelha. Sem esquecer, claro, que você, cabrón, também terá um grande amigo, normalmente brilhante, para quebrar um pouco a rotina da testosterona à milanesa do boteco, pra sair um pouco daquela prosa oleosa de macho, saco.
E você ainda pode aquendá-lo, vez por outra, com uma graça do tipo “amigo gay para mim é homem eu só... ". Bem, deixa pra lá, meu bom rapaz, vou nessa, valeu, a gente se fala.
Escrito por xico sá às 18h58
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QUANDO AS MULHERES ACORDAM*
Impagável uma mulher quando acorda. Nada mais lindo e misterioso do que uma mulher acordando. Do que uma mulher antes das 10h da manhã, como uma vez vi umas fotos num livro de arte inglês, pelo que me lembro ou sonho. Uma mulher e suas verdades nos olhinhos que se espantam com o mundo como uma criatura que acaba de sair do útero, o maior dos sustos, o maior dos assombros da existência.
Umas têm um mau humor tremendo, meu Deus, te deixam acuado,são capazes de te xingar, espezinhar, te maldizer, para depois te amar ainda mais.
Outras acordam paranóicas com os cabelos, tenham caracóis, segredos, ou sejam lisos, loiros ou negros. Ainda mais se for no começo do amor, do caso, do namoro, do ensaio de casamento. Estas nos deixam na cama e correm para o espelho. Tudo por uma rápida conferência de Narciso. Se acham que estão “horríveis”, naquele jeito, como naquele hiperbólico julgamento, dote tão feminino, te abandonam por horas no banheiro... E voltam as mais lindas desse mundo.
Existem aquelas que não estão nem ai, estas são raras, acordam e te presenteiam com aquele sorriso, como se tivessem sonhado com a possibilidade do nirvana ao teu lado, cria da tua costela, como canta o outro Chico, uma beleza de menina!
Os mistérios de uma mulher quando acorda são muitos.
Umas simplesmente silenciam, no máximo um monossílabo, isso quando são, por alguma razão, indagadas. Elas têm dúvidas, ainda não sabem se amam ou não amam, elas ainda guardam velhas heranças amorosas, tudo bem, coisas da vida.
Algumas acordam assustadas, como se dissessem, “que besteira eu fiz, nunca mais eu bebo”.
Outros te mandam embora antes da aurora, para dormir o sono dos justos, o sono que livra de pesos na consciência e possíveis laços imediatos. Certíssimas.
Adoráveis aquelas que mantêm a posição de “conchinha”, embora os motores da cidade já ronquem, apesar de todos os despertadores, todos os celulares. Estão são plácidas, jamais submissas.
Existem aquelas que acordam e põem logo uma música, uma música de acordo com o clima. Se tem sol, rock´n´roll, se faz frio, jazz, algo cool... Se o dia está cinza, toca aquela, que diz assim, como não quer nada, uma porrada, “ah insensatez, que você fez, coração mais sem cuidado...”
Nada mais lindo e misterioso do que uma mulher acordando, seus gestos, a dramaturgia, o arranque para a vida ou a inércia nos teus braços.
Os barulhos de uma mulher acordando, a música dos ossos se espreguiçando, os gerúndios tantos das ações e silêncios, o chuveiro ao longe a nos dizer tantos desejos e coisas, meu Deus, aquela água já escorre linda e faz pocinhas líricas nas saboneteiras...
Quantas dúvidas e quantas certezas acordam juntas quando uma mulher acorda.
<*publicado há uns dois anos aqui neste Carapuceiro, estas mal-traçadas acabam de sair no livro "As cem melhores crônicas...", org. Joaquim Ferreira dos Santos, pela ed.Objetiva. O livro tem os caras que nos ensinam a escrever crônica:Machado, Nelson Rodrigues, Rubem Braga,Antonio Maria, Clarice, João do Rio, João Antonio e outros bambas.Vale por eles!>
Escrito por xico sá às 23h09
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