EL CORAZÓN DE NEON ACENDE OUTRA VEZ NO SALOON
se tenho usted, eu fujo ou vejo um Buñuel enroscadinho na cama, só para apanhar os sonhos, os sonhos que não passam de rolos de filmes não-editados de cineastas mortos... a sobra de las películas, fuleiras ou clássicas, se tenho você, eu tomo uma e saboto ou tomo outra e me devoto feito um priapico em câmera lenta, sem você eu pego uma cadela chapada e bêbada, como na canción de 04, se tenho você quatro garrafas de vinho, se não tenho, oito e meia, doze, pelo menos, sozinho, se tenho você, eu não tenho direito, se tenho você lusco-fusco, se não... melancólico abajur minguante de la existência, se tengo usted portunhol selvagem, se no tengo... um tango argentinho me pega bem melhor que um blues, com usted fecho os olhos só para ouvir profundamente o barulhinho no elástico da calcinha, sem usted rock´n´roll nas alturas, iggy pop como auto-ajuda, um galo sangrando na rinha, se colado à sua pele... uma foda-de-motel-barato com trilha de Sade, love is stronger than pride, com usted ressaca braba, sem usted vomito cascas do tomate d´alma, com usted meu romance interminável, sem usted cabaleiro solitário em busca do sol poente, o faroeste de sempre, e o mesmo mantra no coldre: se a vida dói, drinque caubói...
Escrito por xico sá às 19h42
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PARA BEIJAR A LONA DO AMOR
-Só não vou te perguntar se vens sempre aqui porque a casa inaugurou hoje.
Acreditem, com esta abordagem, uma rápida e metalinguística variação do infrutífero clichechão “vens sempre aqui?”, mr. Abelha, um amigo que flana na noite de SP, despertou na gazela um daqueles sorrisos que muitos bacanas só conseguem em troca de um diamante, um presente da Tyffani´s ou 12 trabalhos de Hércules.
Mr. Abelha não tem bala na agulha para bancar uma bonequinha de luxo, também não é um típico “maníaco do trechinho”, como chamamos aqueles supostos intelectuais que disparam duzentas citações e frases de efeito por minuto. Ele tem apenas a manha de fazer sorrir a mais existencialista das afilhadas de Jean-Paul Sartre. E isso é o que conta no primeiro momento, seja qual for o estilo do cavalheiro.
Se o camarada não for lá, digamos assim, um gato, vai carecer ainda mais do poder da simpatia e do algo mais. Sim, um mal-diagramado, caso deste cronista que vos aborda, sabe muito bem que a sua luta é quase sempre por pontos, ali na corda do discurso amoroso, minando a resistência da moça no ringue mais lírico, riso a riso, drinque a drinque, gesto a gesto.
O contrário do bonitão, do galã, sempre confiante, pois está acostumado a vencer por nocaute –embora muitíssimas vezes quebre a cara e volte para casa mascando o jiló do desprezo.
Sim, os desprovidos, como se diz, da beleza padrão, carecem ganhar sempre por pontos; os bonitões guardam na caixa torácica a soberba do triunfo por nocaute.
O melhor de tudo, para sorte nossa, é que a beleza é passageira e a feiúra só acaba no túmulo, como dizia o doce canalha fancês Serge Gainsbourg. Com essa conversinha mole, e muito charme, óbvio, o autor da clássica "Je t'aime moi non plus", a chanson mais tocada nos motéis do mundo inteiro, teve belas e quentíssimas histórias de amor com Jane Birkin e Brigitte Bardot, entre outras tantas fraquinhas da época.
Para fechar o boteco, uma dica de livros sobre o mesmo assunto: “Por um bife e outras histórias de boxeadores” (ed. Artes & Ofícios), do velho lobo da selva Jack London.
Escrito por xico sá às 00h09
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