NÃO SE MORRE DE AMOR DEBAIXO DESSE SOL TODO
Sossega, nega, não se morre de amor nos trópicos. A morte amorosa é uma invenção dos que hibernam como ursos da Sibéria ou cinzentos donzelos alemães...
O tio tenta uma filosofia de consolação para a amiga que sofre e pena entre a Augusta e a Angélica, pena como se num inferno verde de fitzcarráldica fábula babilônica labiríntica, a menina sofre tanto, mas tanto, que avoa nas asas da hipérbole-helicóptera.
Te juega, nega, aqui não se morre dessas coisas. Se o jovem Werther aqui fosse nascido, até choraria um tanto o seu infortúnio, mas já já algum vagabundo passaria na sua casa e eles iam tomar um ele & ela (caldinho com cachaça) na Várzea ou no Pina, freguesia do Recife, iam tirar uma onda na barraca de Jesus ou no seu Rainha, na mesma cidadela invicta, iam tomar uma com Franciel, pura ingresia da Bahia, lá nas beiradas do mercado de São Joaquim, na frente daqueles garajaus com bodes pretos e galinhas idem, além dos gabirus na lama dos currulepes que ali dançam aos pés dos bêbados, seres com ou sem asas para trabalhos ao vento, como reza o manual de zoologia daquele cego portenho.
Sossega, preta, roga uma praga neste peste e pronto, cai de novo na lama milagrosa do hedonismo. E se a vida atropelar, de nuevo outra vez, na mesma curva, anota a placa, lindinha, e arrisca o número no jogo do bicho.
Escrito por xico sá às 13h12
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DA SÉRIE GRANDES DRAMAS FEMININOS -COM QUE ROUPA
O que fazer enquanto a sua mulher, amante ou namorada se arrumam para sair?
Aí está uma das grandes questões da humanidade. Sorte tinha Adão, que pegou o mundo ainda sem muitas opções no vestuário e longe, muito longe da praga da indústria fashion.
Mesmo assim, Eva demorava horrores para escolher a parreira mais fresca, a mais enfeitada, aquela com detalhes e nervuras que lembram a costura de um Ronaldo Fraga, um Sommer, um Herchcovitch... nossos mudernus estilistas.
O que fazer enquanto ela põe roupa e tira roupa, mulher alterada, doida demais, peça por peça do armário?
Com que roupa eu vou, pro samba, pro rock, pra house ou pro tecno que você me convidou?
Põe e tira, vai ao espelho, pede a sua opinião... Liga para pedir a opinião da melhor amiga _afinal de contas você, velho macho conservador não entende nada dessas modas & modinhas_, volta ao espelho, muda só a parte de baixo, agora muda só a parte de cima, troca o brinco, o colar novo, “ah, esse não combina”...
Não adianta você dizer que está ótimo, dizer que nunca viu mulher tão linda, dizer que nunca a viu tão deusa, dizer que é a mulher da sua vida, a que se veste melhor, a de gosto estupendo, a mais francesa das francesas, a bonequinha de luxo posando na frente da Tiffanys, a Audrey das Audreys, Catharenin Deneveuve, Juliette Binoche...
De nada adianta. Ficamos falando sozinhos nesse momento ímpar do mulherio.
O que fazer?, então, como perguntava o velho Lênin antes do tsunami neoliberal e capitalista?
Relax, meu jovem, relax, caro mancebo, tranquilidade, cabrón. Como não tem remédio e nem nunca terá, o jeito é retomar tempo perdido a nosso favor. Já tive mulheres que demoravam o tempo de um jogo de futebol _com prorrogação e morte súbita_ para escolher a “roupa certa”. Vi muitas decisões de campeonato graças às dúvidas fashion da costela amada. Gracias.
Putas escritores, como o velho Hemingway, deixaram grandes obras graças às demoras das “patroas”. Grandes inventores, alô, Gramhbel, responde, idem ibidem. O humorista Grouxo Marx agradeceu publicamente à sua mulher por deixar-lhe livre para criar ótimas piadas nestes intervalos. Os exemplos são muitos. Meu amigo Pereira, velho porco chauvinista da Móoca, volta à infância e monta castelos e castelos de legos _isso quando não treina tiros no quintal de casa.
E quando ela, além da dúvida da roupa, diz que está gorda? Aí já é bronca demais para uma só crônica, meu chapa . Fui e fica para a próxima.
Escrito por xico sá às 13h07
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