 |
|
|
DONDE AS ALMAS SE ENTENDEM E OS CORPOS DIZEM NÃO
Da agonia da phoda, dos pés que não batem direito lá embaixo, do pau e da buceta que parecem dois inimigos clássicos, dos membros inferiores e superiores desajeitados, dos corações que batem mas não tocam de ouvido, das almas que podem até se entenderem lá nas nuvens, dos corpos que tilintam fogo mas não interagem, da dramaturgia da cama como fim de um grande e interessantíssimo prefácio.
[Do nuestro "Catecismo de Devoções, Intimidades & Pornografias", editora do bispo, que chega agorinha à segunda edição... e quem ganha é você amado(a) leitor(a)... Os primeiros dez que escreverem, nos comentários, com nome e endereço direitinho, receberão, no conforto dos seus lares, a minha modestíssima bíblia de saudáveis sacanagens. Vamolá!]
Escrito por xico sá às 21h58
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
O GARÇOM E A MULHER, A MULHER E O GARÇOM
Numa mesa de bar, claro.
Se não, não teria graça. Eu nem contaria.
Confesso que bebi.
Deus deveria parar o cronômetro, como um juiz de basquete, quando a vida não tivesse como locações a cama ou o botequim.
Mas nada é tão justo assim nesse mundo. Sabemos.
Numa mesa de bar. Exterior, calçada, noite.
A nega indaga:
“Por que será que garçom só decora nome de homem?”
A nega é mulher de amigo Jotabê, compay.
De mulher de amigo também não sei sequer o batismo, o sagrado nome. Vê se pode uma coisa dessas!
Garçom só decora nome de homem?
Arrisco uma tese, PhD de pé-sujo. Com ajuda da amiga Ana Weiss, a linda do lado, eita, danou-se.
O bar é minha UFPE, minha ECA, minha Sorbourne,minha universidade católica, meu doutorado da USP, minha filosofia, minha cachaça, minha cátedra, minha nota de rodapé, minha escolástica, meu deproma...
Desde o “Robertão 70”, onde eu bebia no Recife com Evaldo Costa, ao som do Rei e sob às vistas do sósia-proprietário, grande homem tragicamente assassinado, poxa.
A tese, sem mais torresmos mentais: ora, homem confia e trata bem o garçom, faz favor.
O garçom é o cúmplice, o ombro amigo, o divã que anda e traz o Freud, o Lacan engarrafado.
Mulher contesta o garçom.
Mulher é que confere as contas.
Mulher é Procom, homem é fraude e festa.
Mulher acha que o garçom é aquele quarto árbitro que sempre levanta a placa do acréscimo, na beirada do campo, pedindo mais tempo, mais uma saideira.
Seu garçom faça o favor!
Garçom é a encarnação do anjo da guarda dos machos.
Garçom mantém o respeito e guarda a sete chaves o batismo das nossas melhores costelas.
Num bar, a simples pronúncia do nome de uma mulher já é o maior dos pecados. Ele sabe.
E se for mulher dos outros, meu Deus, cem anos de inferno.
Não há a menor réstia de machismo, minhas queridas, nessa elipse de gravata borboleta. Não é falha. O garçom não vos chama pelo nome por excesso de zelo, omissão sagrada, amém.
Garçom está além do bem e do mal, acima de homem e mulher, garçom é a ONU da existência, mais uma, faz favor, e pergunta ai ao freguês de lado de quanto o meu time apanhou!
Escrito por xico sá às 02h34
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
DEBAIXO DOS CARACÓIS...
Falar, falei, de cabelinho curto, sim, eu sei, mas a manha, a mão por baixo, no rente da nuca, no cacho, debaixo dos caracóis, por supuesto, explorei, se beijo, ô, bem sei, se arrepia, fico, pra sempre, o sempre de hoje, sabemos, o sempre do arrepio, oxe, da lei, aêee, sem chapinha,pedi, mas se quiser alisar, deixa, eu já sei, compro a maquinhinha no japonês, favor, aêee, choveu no alisado da mina, daí, liga na tomada a chapinha JÁ É... fui, escapaie.
Uma história pra contar, madame Bovary c´est moi, pequei, já sei, ô maluca, aproveita a minha culpa e vamu fuder inte u´as hora, viver de brisa nas aurora, morrer de pauduresência, si, si, o destino do posseidon, tu q pensa, velho Nelson paciência, mas o que queria comprar mermo era um vestido de noiva, eita porra, botar nela, quer dizer, entregaria a encomenda para a sogra, que vestiria a nega, vestido branco e calcinha preta, a mãe morta de inveja, apertando as vestes e pensando na lua de mel em Bora Bora, como naquele fundo do coração de Coppola, e eu dizendo vem meu bem, mas venha na sua hora... DemorÔ, com vocês aaaaviões do for alllll
E os cabelos compridos viram algas, algas marinhas e aquelas coisas que enrolam minhas comidas japonesas, e o colchão na sala pra pegar o vento, e o Tepan custando barato, e nós nas ruas fazendo dos gabirus um trainspoiting de ratos, viejo Burroughs, me responda: mas num é isso que mora no coração-bagaceiro [e metafísico] de um gato?
Escrito por xico sá às 05h54
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
OS MISTÉRIOS DO CABELO-JOÃOZINHO
Nada como um pescocinho à vista, bem ao estilo da atriz Jean Seberg, aquela linda moça do filme “Acossado”, clássico de 1959 dirigido por Jean-Luc Godard, uma moça bem nouvelle vague. Aquele cabelo conhecido vulgarmente como “Joãozinho”, que sempre intrigou nós homens pelo que tinha e tem de dúbio, anfíbio. Em alguns rostos, cai perfeito, ainda mais no veranico, ressaltando o que tem de mais belo nos traços, lente de aumento no brilho dos olhos... Mas não é para qualquer rosto tal corte ousado, todo cuidado é pouco nessa hora. É mais para as mulheres de gestos pequenos e delicados do que para as mulheres mais atrevidas e selvagens, que estão mais para tranças, madeixas e mil segredos debaixo dos caracóis.
É corte para aquela hora de reviradas na vida, ritual de passagem, transição amorosa, mudanças bruscas, as calmarias que chegam depois das tempestades e etcteras bíblicos. E como é prático uma mulher com cabelos curtíssimos. Ao acordar, por exemplo, ao lado de um novo possível amor, bofe avulso ou namorado, não viverás o drama comum às mulheres de cabelos longos, que já acordam, quando ainda não possuem a completa intimidade, em sobressaltos, preocupadas com o desalinho feito pelos travesseiros e pelos sonhos novos, sonhos, sabemos, são filmes dirigidos por cineastas mortos, maneira de ocupá-los no purgatório.
Acordam e correm logo para a conferência no espelho! Mal sabem como são lindas, de todos os jeitos, as mulheres quando acordam.
E cabelo curto, quanto mais rebelde melhor, quanto menos penteado ou arrumado, melhor. Segundo o meu instituto Databotequim, os amigos avaliam que uma mulher com cabelo mais curtinho e despojado _isso não significa descuidado_ representa um clima mais relax, com menos ansiedade, em caso de futuro relacionamento.
Será?
Não é nada científico, mas a minha enorme mesa de bar chegou à esta boa tese.
Nada como um pescocinho à mostra... Lembram da Audrey Hepburn? Meu Deus, talvez tenha sido o melhor cabelo curto da história do cinema!
Bem curtinho ou channel, que assim se denomina por causa de outra deusa de madeixas econômicas, a Coco Channel, uma mulher sem medo de fazer com que as outras mulheres adotassem um estilo aparentemente, só aparentemente, masculino. Ora, foi ela que inventou o tailleur, ainda nos anos 1940. Isso é que é vanguarda, isso é que é poder.
Mulher que é mulher não tem medo dos mãos-de-tesouras... Levanta da cadeira do cabeleireiro e pra cima com a viga,moçada!
Escrito por xico sá às 12h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 |
 |
| [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |



|
 |